terça-feira, 29 de julho de 2014

BatucAfro - Òsún



Se você gosta de um bom batuque, no sábado 09 de Agosto, vai acontecer a 10ª Edição do BatucAfro, homenageando Òsún, organizada pelo BatucAfro. O encontro vai acontecer a partir das 17h30  na  Rua Barão de Alagoas, 340, Itaim Paulista, São Paulo, SP, e traz samba de roda, danças populares   e contação de histórias.
Não perca e compartilhe por aí!



sexta-feira, 25 de julho de 2014

Carolina Maria de Jesus. Uma Candace na periferia.

Em 2014 comemora-se o centenário de Carolina Maria de Jesus. Embora seu aniversário tenha sido em 14 de março, as homenagens a ela e sua obra continuam ao longo do ano. E nada mais justo do que, no Dia Nacional da Mulher Negra, prestarmos reverência a esta Candace mineira, a mulher forte que mostra em sua literatura o que a força da mulher à margem, da mãe, da artista e da amante.

Amanhã, 26 de julho, às 10:30 o Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca realizará a exibição inédita do documentário “Favela: a vida na pobreza”, da diretora alemã Christa Gottmann, que mostra a escritora negra Carolina de Jesus, na década de 70, e em seguida, serão exibidos os curtas “Vidas de Carolina”, de Jéssica Queiroz, e “Carolina”, de Jeferson De.
 Após a exibição haverá debate com a participação da diretora Jéssica Queiroz e da atriz Débora Garcia, do filme “Vidas de Carolina”, e de Vera Eunice de Jesus (filha de Carolina de Jesus), sob a mediação de Jéssica Cerqueira, da AfroeducAÇÃO.

Moradora da favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, Carolina torna-se famosa no meio literário com sua obra Quarto de Despejo, publicado em 1960.  Publicou também o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios, ambos em 1963. Após sua morte, em 1977, foram publicados o Diário de Bitita; Um Brasil para Brasileiros (1982); Meu Estranho Diário; e Antologia Pessoal (1996).


Na sequência, compartilhamos um trecho da obra Quarto de Depejo:

" 31 de dezembro [de 1958]:

(…)

Quando a noite surgiu, ele veio. Disse que quer estabelecer, porque quer pôr os filhos na escola. Que ele é viúvo e gosta muito de mim. Se eu quero viver ou casar com ele.

Ele me abraçou e me beijou. Contemplei a sua boca adornada de ouro e platina. Trocamos presentes. Eu lhe dei doces e roupas para os seus filhos e ele me deu pimenta e perfumes. A nossa palestra foi sobre arte e música.

Ele me disse que se eu casar com ele que me retira da favela. Lhe disse que é poética a existência andarilha.

Ele me disse que o amor de cigano é imenso igual o mar. É quente igual o sol.

Era só o que me faltava. Depois de velha virar cigana. Entre eu e o cigano existe uma atração espiritual. Ele não queria sair do meu barraco. E se eu pudesse não lhe deixava sair. Lhe convidei para vir ouvir o rádio. Ele me perguntou se sou sozinha. Respondi que eu tenho uma vida confusa igual um quebra-cabeça. Ele gosta de ler. Dei livros para ele ler. (…) "

Mais informações sobre a exibição: Ano Centenário Carolina Maria de Jesus
E sobre Carolina Maria de Jesus: 
http://www.revistabrasileiros.com.br/2014/03/14/os-cadernos-de-carolina/#.U9KtneNdXps
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-03/brasil-lembra-centenario-de-escritora-que-definiu-favela-como-quarto-de


Candaces IV- Quariterê, resistência e Teresa


Quariterê, resistência e Teresa

O Quilombo de Quariterê, também conhecido como Quilombo do Piolho, surgiu na região do rio Piolho, em um momento de fixação portuguesa no interior do território extrapolando o Tratado de Tordesilhas, através das bandeiras e da mineração. Como marco nesta região, é criada em 1748 a Capitania de Mato Grosso, com sua capital na Vila Bela da Santíssima Trindade.
 Instalando-se próximo a Cuiabá, não muito longe da fronteira com a atual Bolívia, o quilombo recebia negros, indígenas e mestiços fugidos, sobrevivendo até 1770.  Com a resistência dos habitantes do quilombo, liderados por Teresa, despertam a atenção e a preocupação do governo lusitano. Uma incursão sob o comando de Luiz Pinto de Souza Coutinho é organizada através da Câmara Municipal de Vila Bela da Santíssima Trindade com patrocínio de proprietários de escravos. O quilombo é destruído e os escravos capturados, sendo levados para a Vila Bela, onde foram castigados duramente e devolvidos a seus proprietários. O fim de Teresa é controverso, algumas fontes afirmam que ela enlouquece, outras que ela se suicida e outras apontam que ela foi torturada e assassinada.
Segundo Maria De Lourdes Bandeira (apud Machado, M. F. R.)
Na organização política residia a especificidade do quilombo Quariterê, que nisso se distinguia de Palmares e dos quilombos do Ambrósio e de Campo Grande. A forma de governo adotada foi a realeza. Havia rei, mas à época da primeira destruição era governado por uma preta viúva, a Rainha Teresa [de Benguela], assistida por uma espécie de parlamentar, com capitão-mor e conselheiro. A alcunha do conselheiro da rainha, José Piolho, transformou-se em uma das designações do quilombo. Nos quilombos de Alagoas e de Minas Gerais, a chefia era masculina e não assumia o caráter de reinado formal, como no quilombo de Vila Bela.
Após a apreensão dos escravos, funda-se a Aldeia de Carlota, como forma de manter o domínio português na região. Contudo, isto não impediu a fundação de outros quilombos na capitania de Mato Grosso.



Fontes:
Palitot, Aleks. Quilombo do Piolho, resistência afro no vale do Guaporé. Disponível em:  http://www.newsrondonia.com.br/noticias/quilombo+do+piolho+resistencia+afro+no+vale+do+guapore/30486
Alves, João de Medeiros. O Quilombo do Quariterê. Disponível em:  http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=185

 Maria Fátima Roberto Machado. Quilombos, Cabixis e Caburés: índios e negros em Mato Grosso no século XVIII. Disponível em:  

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Candaces na história afro-brasileira III- África Ocidental



Retrato da rainha Nzinga, 

produzido no século XIX


Nzinga Mbandi Ngola , Rainha Ginga ou ainda Ana de Sousa, são com estes títulos que podemos encontrar informações acerca desta figura histórica que permeia o imaginário da Diáspora, ecoando nos ritos populares.  Rainha de Matamba e Angola, viveu de 1587 a 1663.
Nzinga reina em um momento no qual Portugal busca estabelecer posições em Angola para fortalecer o tráfico de escravos. Nzinga governa na resistência, entre estratégias que compreenderam a conversão ao cristianismo, a diplomacia e as investidas militares. 
A história de Nzinga é repleta de momentos de atrito com as forças coloniais e o tráfico de escravos. 
Segundo a pesquisadora Mariana Bracks Fonseca, que possui uma dissertação acerca da rainha, 
Estátua em homenagem a Nzinga,
em Angola

" capturar Nzinga e reduzi-la à obediência passou a ser um dos objetivos principais do governo português. Em 1626, o governador de Angola, Fernão de Sousa, arquitetou um golpe político para que Are a Kiluanje, um vassalo dos portugueses, assumisse o trono. Nzinga se refugiou na ilha de Kindonga e conseguiu se livrar do cerco usando sabiamente a geografia do local, deslocando-se pelas diversas ilhas do Rio Kwanza. Quando as tropas lusas enfim a encurralaram em Kindonga, ela mandou seus embaixadores informarem que estava disposta a se render e se avassalar. Para isso, no entanto, pediu uma trégua de três dias. Passado o prazo, os portugueses perceberam que tinham caído em um golpe: Nzinga já estava longe dali." Sob seu governo os holandeses ocuparam Angola, e estabeleceram alianças com a rainha contra os lusitanos. 

 Hoje, Nzinga é considerada heroína nacional em Angola, e no Brasil resiste no imaginário das canções populares e nas rodas de capoeira, sempre que se evocar a Rainha Ginga.



Mais referências sobre Nzinga: 

Serrano, Carlos M. H. Ginga, a rainha quilombola de Matamba e Angola. Revista USP, São Paulo (28): 136-141 Dez-fev 95-96. Disponível em:  http://www.usp.br/revistausp/28/10-serrano.pdf

Fonseca, Mariana Bracks.Ginga, a incapturável. Revista de História.com.br. Disponível em:    http://www.revistadehistoria.com.br/secao/retrato/ginga-a-incapturavel-1

Fonseca,Mariana Bracks. Nzinga Mbandi e as guerras de resistência em Angola. Século XVII. Dissertação de mestrado disponível em : 


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Os afro-sambas e Agô: as misturas bem vindas


Hoje lembraremos de um álbum considerado um divisor de águas na MPB e que contribuiu para uma divulgação e disseminação dos toques e balanços do candomblé da Bahia. Falamos do lp Os afro-sambas, de Baden Powell e Vínicius de Moraes. Depois de receber uma gravação de pontos e cantos de roda, Vinícius se encanta e compõe, em parceria com Baden Powell as oito faixas que compõe o lp, lançado em 1966.

Clique no link para que vocês possam ouvir o álbum na íntegra


Faixas:
Canto de Ossanha - 03:23
Canto de Xangô - 06:28
Bocoché - 02:34
Canto de Iemanjá - 04:47
Tempo de amor - 04:28
Canto do Caboclo Pedra-Preta - 03:39
Tristeza e solidão - 04:35
Lamento de Exu - 02:16


Agô! Cantos sagrados de Brasil e Cuba é uma obra recente, lançada em 2011, onde a ONG Sambatá promove o encontro dos cantos e melodias brasileiras e cubanas, através do toque e da voz da Orquestra HB, do Grupo Abaçaí e de convidados da santeria, agôs  e jazzistas.


Clique no link para que vocês possam ouvir o álbum na íntegra
  

Faixas
01- Exú
02- Oxossi
03- Agradecer e Abraçar
04- Xaxará
05- Xangô
06- Oxaguian
07- Quebrando Pratos
08- Iemanjá
09- Muzenza
10- Caboclos
11- Agô
12- Saudação a Oxossi
13- Saudação a Omolú
14- Saudação a Ogum

Mais informações sobre os discos, acesse:


Èdè Yorùbá a língua do Òrìṣà. Contribuições da Casa de Òsùmàrè parte 4


Continuamos compartilhando as postagens da Casa de Oxumarê sobre a a língua Yorùba. Semeiem por aí este conhecimento!





Ator: òṣère ọkùrin.
Atriz: òṣère obìnrin.
Administrador: olùpínfúnni.
Assessor: olùfọnàhán.
Advogado: gbàwí.
Agente: aṣelédeni.
Agricultor: Aroko.
Embaixador: Iko ìjọba.
Locutor: akéde.
Arquiteto: ayàwòrán Ile
Leiloeiro: onígbànjo
Livreiro: olùtà iwe
Pedreiro: mọlémọlé.
Capitão: Balogun.
Carpinteiro: gbẹnàgbẹnà.
Combatente: oníjà.
Ministro: ìránṣẹ.
Motorista: Awako.
Músico: Olórin.
Enfermeira: olùtọ.
Pintor : akun ọda
Escritor: akọ̀wé
Gerente: alábójútó
Delegado: aṣojú-ẹni
Professor: olùkọ́
Vendedor: olùtà
Dançarino: oníjó
Médico: oníṣẹ́gùn
Escultor: onísònà
Ferreiro: àgbẹ̀dẹ
Joalheiro: olùtà òkúta iyebíye
Bombeiro: panápaná
Dentista: oníṣègùn ehín
Sapateiro: oníbàtà
Costureiro: òǹránṣọ
Militar: olóógun
Pescador: apẹja
Marinheiro: atukọ̀
Padeiro: alásè
Jardineiro: olùṣọ́gbà

segunda-feira, 21 de julho de 2014

1º Seminário para Preservação do Patrimônio Cultural Compartilhado entre o Brasil-Nigéria


Entre os dias 28 e 31 de julho, acontecerá o 1º Seminário para Preservação do Patrimônio Cultural Compartilhado entre o Brasil-Nigéria, em Salvador, Bahia.

A entrada é franca e a inscrição será feita na hora no local.

Nesta data, teremos a presença de Sua Majestade Imperial o Alaafin de Oyo, Obá Adeyemi III.
Não perca!

Maiores informações

PROGRAMAÇÃO:

28 de julho (segunda-feira)
Fórum Rui Barbosa (Palácio da Justiça)

14:30 a 15:50 | Solenidade de Abertura.

16:00 a 16:40 | Palestra magna de Sua Majestade Imperial, o Alaafin de Oyo.

16:40 a 17:00 | Apresentação Cultural.

17:00 a 18:30 | Mesa-Redonda 1: Nos caminhos de Xangô: o patrimônio cultural compartilhado entre Oyo e a Bahia.
1) A importância do Império de Oyo e a riqueza cultural preservada na cidade de Xangô;
2) A centralidade do culto de Xangô nos terreiros de Candomblé Nagô da Bahia e suas ligações com império de Oyo.

18:30 a 20:00 | Mesa-Redonda 2: Problemáticas e Instrumentos da Preservação e Salvaguarda do Patrimônio Compartilhado no Brasil e na Nigéria.
1) Políticas públicas para a preservação e valorização do patrimônio cultural dos povos e comunidades de matriz africana no Brasil (tombamento, mapeamentos e planos de gestão integrada);
2) Proteção e gestão do patrimônio cultural da cidade de Oyo: possíveis mecanismos de proteção.
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>29 de julho (terça-feira)
09:00 a 12:00 | Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho
Visita da comitiva de Oyo ao Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho encontro sobre ações preservacionistas, origens, ancestralidade e manutenção das tradições.

14:00 a 17:00 | Casa de Oxumarê
Visita técnica da comitiva de Oyo à Casa de Oxumarê encontro sobre ações preservacionistas, origens, ancestralidade e manutenção das tradições.

>30 de julho (quarta-feira)
09:00 a 12:00 | Ilê Àse Opo Afonjá
Visita da comitiva de Oyo ao Terreiro Ilé Àse Opo Àfonjá para encontro sobre ações preservacionistas, origens, ancestralidade e manutenção das tradições.

14:00 a 17:00 | Terreiro Alaketu
Visita da comitiva de Oyo ao Terreiro Alaketu para encontro sobre ações preservacionistas, origens, ancestralidade e manutenção das tradições.

>31 de julho (quinta-feira)
09:00 a 12:00 | Terreiro do Gantois
Visita da comitiva de Oyo ao Terreiro do Gantois para encontro sobre ações preservacionistas, origens, ancestralidade e manutenção das tradições.

Candaces na história afro-brasileira II- Antiguidade: Egito


O título Candace se relaciona com as rainhas- mãe ou rainhas guerreiras. Ao longo das postagens chamadas Candaces na história afro-brasileira, iremos expor um pouco da história tanto de rainhas negras e líderes de governos como de guerreiras e mulheres fortes. 

Como já vimos em post anterior  o termo surge na região do Império Cuxita, ao sul do antigo Egito. Mas o próprio Egito teve grandes mulheres ligadas à administração e ao governo do império.


 O papel da rainha-mãe era fundamental, pois se conecta ao mito da formação da realeza, no qual Ísis é a mãe do futuro rei, Hórus, e assim o faraó é o próprio Hórus renascido. As rainhas-consortes, geralmente a primeira esposa do faraó, recebiam o título de Grande Esposa Real e possuíam importantes funções político-administrativas. 




Além das rainhas, o Egito também teve Faraós mulheres, sendo as mais conhecidas Hatshepsut (de 1479 a 1458 a.C.) e, claro, Cleópatra (de 69 a 30 a.C.) . 

Faraó Hatshepsut com os atributos reais
Hatshepsut foi esposa de seu irmão Tutmósis II, e quando de sua morte, ficou como regente até que o filho Tutamósis III  tivesse idade para subir ao trono. Contudo, quando ele atinge a idade (15 anos) a Grande Esposa Real se proclama Faraó, reinando por 22 anos. A faraó estabelece uma ligação sagrada com o trono, identificando-se como o Hórus vivo.  A rainha se apresentava com trajes e atributos de poder masculinos, contudo, sem esconder que era uma mulher.
Uma de suas principais preocupações  era que o seu legado fosse lembrado, e por isso mandou registrar algumas das passagens mais importantes do seu reinado. Uma das construções mais importantes desse período é o templo de Deir el-Bahari.

Rainha Nefertiti. Busto descoberto na antiga região de Amarna em 1912. 
Nefertiti (de 1370 a 1334 a.C.) foi a Grande Esposa Real de Amenhotep IV, mais conhecido como Akhenaton. Em seu governo, o faraó, junto de Nerfertiti, estabeleceu uma nova forma de culto, no qual Aton(o sol, o disco solar) é a principal deidade. Akhetaton, a nova capital é fundada e Nerfertiti atua como figura fundamental na disseminação do novo culto. 
A imagem do casal real aparece em diversos templos e monumentos remanescentes. Após 12 anos de reinado, o nome de Nerfertiti desaparece dos registros levando os estudiosos a acreditarem em sua morte. Contudo, atualmente alguns pesquisadores creem que ela tenha reinado por um período após a morte de Akhenaton. 


Nerfetari, Grande Esposa Real de Ramsés II, de mãos dadas com Ísis. Pintura preservada em tumba.
 Nefertari (de 1290 a 1254 a.C.) foi a Grande Esposa Real de Ramsés II. Apesar do faraó possuir outras esposa, foi Nefertari a sua favorita e que reinou a seu lado, sendo fundamental em rituais e negociações de paz com os hititas. O templo de Abu Simbel é um dos monumentos do amor devotado de Ramsés a esta mulher. Sua tumba é a mais famosa e uma das mais bem preservadas do Vale das Rainhas. 
Em uma das inscrições que sobreviveram ao tempo, Nefertari é descrita como "A princesa, rica em louvores, soberana da graça, doce no amor, senhora das duas terras, a perfeita, aquela cujas mãos seguram os sistros, aquela que alegra o seu pai Amom, a mais amada, a que usa a coroa, a cantora de belo rosto, aquela cuja palavra dá plenitude. Tudo quanto pede se realiza, toda a realidade se cumpre em função do seu desejo e conhecimento, todas as suas palavras despertam alegria nos rostos, ouvir a sua voz permite viver."


Fontes:

JACQ, Christian. As Egípcias: Retratos de Mulheres do Egito Faraônico
Arqueologia Egípcia. Acesso:  http://arqueologiaegipcia.com.br/




sexta-feira, 18 de julho de 2014

Candaces na história afro-brasileira I- origens: Império Cuxita e Meroé


Império Kush e Meroé

O império Kush (ou Cuxita) se desenvolveu na região da Núbia, ao sul do Egito, atual Sudão entre os séculos VIII a.C a IV d. C.
As principais fontes de pesquisas sobre a organização desta região são de escavações em sepulturas reais, e descrições hieroglíficas e inscrições em templos e estelas.

Segundo os historiadores, com a rainha Shanakdakhete, por volta de 170- 160 a.C, é que se dá a ascensão do poder matriarcal.
As mulheres detinham um poder fundamental na organização política desta região. Desde as princesas- sacerdotisas, as Rainhas-mães, também intituladas de Senhora de Kush e as Candaces, rainhas guerreiras. Rainhas que tiveram contato com Alexandre Magno, Augustus e Salomão, sendo citadas em crônicas históricas de Heródoto e na Bíblia (2 Crônicas 9; Atos 8-27).


Fontes

História Geral da África, II: África antiga/ editado por Gamal Mokhtar.-2.ed.rev-Brasilia: UNESCO,2010. Disponível em:


A mulher na África antiga. Disponível em:
Queen Candace of Antiquity. Disponível em: https://suite.io/william-cook/2jax2r1

Nubian Queens in the Nile Valley and Afro-Asiatic Cultural History  http://wysinger.homestead.com/fluehr.pdf



quinta-feira, 17 de julho de 2014

Retorno das atividades- Círculo de Cultura Afro-brasileira e Candaces

   
No dia 26 de julho o Círculo de Cultura Afro-brasileira da Biblioteca Pública Monteiro Lobato retoma suas atividades, com uma programação muito especial aberta ao público em geral. Confira:






Encontro internacional de Umbanda em Leiria

Recebemos a seguinte divulgação e estamos compartilhando com vocês!Mais informações:
 https://www.facebook.com/encontrointernacionaldeumbanda


Workshop: Brincando no terreiro


  No domingo, 20 de julho, o Terreiro da Vó Benedita de Campinas receberá o workshop Brincando no terreiro, com o facilitador Ademir Barbosa Júnior. A atividade é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo e.mail joao.galerani@gmail.com.
Para maiores informações, acesse o link abaixo:


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tereza de Benguela e o dia 25 de julho

    Em comemoração ao dia 25 de julho, iniciaremos postagens relacionadas à Teresa de Benguela e a atuação das Candaces na história afro-brasileira.

 Acesse: Vídeo com samba-enredoTeresa, Tereza ou Thereza foi uma líder quilombola, ícone de liderança feminina negra, que manteve bravamente o Quilombo do Quariterê (Cuiabá - MG) por duas décadas sobrevivendo até 1770. 
  Infelizmente não há muitos registros acerca desta figura; assim não se sabe se Tereza veio da África ou nasceu na América. Sabe-se que, com a morte do marido, Tereza assumiu o comando do quilombo, sendo aclamada rainha. 
 Sua atuação como uma liderança feminina à frente da resistência e luta pela liberdade, a coloca entre as denominadas Candaces ou Rainhas Guerreiras.
   No dia 02 de junho, entrou em vigor a Lei Federal nº 12.987, que institui o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra, a ser comemorado, anualmente, em 25 de julho. 
   Em 1994 a G.R.E.S Unidos do Viradouro apresentou o samba-enredo:  Tereza de Benguela - Uma Rainha Negra No Pantanal. Clique no link abaixo para ouvir o samba.

Autores: Joãosinho Trinta Cláudio Fabrino, Paulo César Portugal, Jorge Baiano e Rico Medeiros

Vai clarear, vai clarear
Um sol dourado de quimera
A luz de Tereza não apagará
E a Viradouro brilhará na nova era

Amor, amor, amor
Sou a viola de cocho dolente
Vim da Pérsia, no Oriente
Para chegar ao Pantanal
Pela Mongólia eu passei
Atravessei a Europa medieval
Nos meus acordes vou contar
A saga de Tereza de Benguela
Uma rainha africana
Escravizada em Vila Bela

O ciclo do ouro iniciava
No cativeiro, sofrimento e agonia
A rebeldia acendeu a chama da liberdade
No quilombo o sonho de felicidade

Ilê ayê, ara ayê, ilú ayê
Um grito forte ecoou
A esperança no Quariterê
O negro abraçou

No seio de Mato Grosso a festança começava
Com o parlamento, a rainha negra governava
Índios, caboclos e mestiços, numa civilização
O sangue latino vem na miscigenação
A invasão gananciosa, um ideal aniquilava
A rainha enlouqueceu, foi sacrificada
Quando a maldição a opressão exterminou
No infinito uma estrela cintilou

Vai clarear, vai clarear
Um sol dourado de quimera
A luz de Tereza não apagará
E a Viradouro brilhará na nova era


Em breve postaremos mais textos, não deixe de acompanhar e compartilhar nossas postagens!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Èdè Yorùbá a língua do Òrìṣà. Contribuições da Casa de Òsùmàrè parte 3

Casa de Oxumarê fez mais uma postagem muito interessante sobre a língua Yorubá, que compartilhamos a seguir na íntegra.



Em continuidade a série “Èdè Yorùbá”, que tem por objetivo abordar o Yorùbá, a língua do Òrìṣà, vamos falar hoje sobre as partes do corpo humano. Aproveitem!

ORI = CABEÇA
AGBỌN = QUEIXO
APÁ = BRAÇO
ORUNKUN = JOELHO
ETE = LÁBIOS
ẸNU = BOCA
ẸSẸ = PÉS/PERNA
IDI = NÁDEGAS
IKA = DEDO
ETI = ORELHA
IMÚ = NARIZ
IRUN = CABELO
IWAJU = ROSTO
OBO = VAGINA
OJU = OLHO
OKÓ = PÊNIS
ỌKAN = CORAÇÃO
ỌWỌ = MÃO
ỌYAN = SEIO
EJIKA = OMBRO
EHIN = DENTE
EEGUN = OSO
AYA = PEITO
AWỌ ARA = PELE
ẸHIN = COSTAS
IDODO = UMBIGO
IGUNPA = COTOVELO
ITAN = COXA
ỌRUN = PESCOÇO
IKUN = BARRIGA

Do Coração da África- Arte Yorubá em exposição no MASP


A partir de hoje o MASP a exposição inédita Do Coração da África- Arte Yorubá, com   49 obras extraídas da coleção Robilotta. Dividida em dez grupos, a exposição apresenta peças que expressam as manifestações centrais das tradições culturais e religiosas da nação Iorubá. São obras produzidas até os anos 1960, portanto anteriores à pressão globalizante que de lá pra cá passou a influenciar a produção de países como Nigéria, Costa do Marfim, Zaire e Benin, entre outros que abrigam a nação Iorubá. “A cultura africana está na origem de um dos marcos da arte moderna ocidental, aquele proposto pelo Picasso cubista de 1907 que buscou suas então escandalosas formas humanas nas máscaras e figuras das esculturas tradicionais da África negra”, escreve o curador Teixeira Coelho.

O contato da África com a Europa é milenar, intensificando-se desde o início das navegações portuguesas na segunda metade do século 15. No século 17, os europeus atingiram o interior do continente e existem indícios de que artesãos africanos produziam objetos de marfim por encomenda para comercialização na Europa. Mesmo nos tempos coloniais, apesar das invasões dos missionários cristãos e da influência muçulmana, muitos aspectos da cultura africana  abaixo do Saara evoluíram em dinâmica própria.

DO CORAÇÃO DA ÁFRICA – Arte Iorubá Coleção Robilotta MASP
A cultura africana está na origem de um dos marcos da arte moderna ocidental, aquele proposto pelo  Picasso cubista de 1907 que buscou suas então escandalosas formas humanas nas máscaras e figuras das esculturas tradicionais da Africa negra. Outra vez, o velho formava o novo. As dimensões desse aporte africano para a arte moderna ficam mais claras e próximas para o visitante do MASP com a primeira mostra da recém doada coleção Robilotta. Com ela e com a coleção de arte asiática a ser exibida futuramente, o MASP explora melhor as relações globais e as versões da arte num mundo cada vez menor.

Mas, o que se vê nesta mostra é arte ou cultura? Estas peças têm um caráter utilitário há muito ausente da arte ocidental. Esta ainda serve para alguma coisa, é fato: adorno, distinção social, lucro econômico; residualmente, até para culto religioso. Esses usos, porém, não mais a definem nem lhe são necessários: sua simples existência basta para justificá-la. Inversamente, estas peças africanas servem a fins específicos, da cura de um mal ao aplacamento de alguma ira divina. De pelo menos uma delas pedaços foram retirados, por seu poder místico, para serem usados como amuleto. Nada análogo em relação à arte moderna ocidental: o caso seria de vandalismo ou insanidade econômica. Assim, para a antropologia tradicional estas peças seriam um caso de cultura, não de arte. A modernidade avançada, contudo, sugere que é arte o que se vê como arte.
Sem prejuízo de sua dimensão cultural, de resto congelada quando entram para um museu, é como arte que o MASP as apresenta, compartilhando com seus visitantes o prazer de contemplar as formas de uma parceira da modernidade e de conhecer melhor uma outra visão de mundo, menos extinta do que parece.

Texto de Teixeira Coelho, junho de 2014

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Av. Paulista, 1578. Acesso a deficientes. Horários: De 3ªs a domingos e feriados, das 10h às 18h. Às 5ªs: das 10h às 20h.  bilheteria fecha meia hora antes. 
Ingresso: R$ 15,00. Estudantes, professores e aposentados com comprovante: R$ 7,00. 
Acesso gratuito a todos às terças-feiras e para visitantes com até 10 anos e acima de 60 anos
Estacionamento: Car Park – Alameda Casa Branca, 41. R$ 14,00 para até duas horas (sábados e domingos: R$ 13,00 pelo período integral). Pegar adesivo na recepção do MASP os descontos.

Informações ao público: www.masp.art.br | twitter.com/maspmuseu |facebook.com/maspmuseu
Fone: 11 3251.5644

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Èdè Yorùbá a língua do Òrìṣà. Contribuições da Casa de Òsùmàrè


Como importante contribuição para o estudo da língua Yorùbá, a página da Casa de Oxumaré está disponibilizando informações sobre esta língua tão importante na cultura africana e da Diáspora.
Para nós que valorizamos o compartilhamento de informações e ações culturais que contribuam para a desmistificação e o respeito pelas raízes afro, destacamos a fala da Casa, com a qual concordamos:

Falamos “Língua do Òrìṣà”, pelo fato do Yorùbá ser o idioma falado nas terras de origem desses Deuses, tais como: Ibadan, Ọyọ, Ijebu Ọdẹ, etc. Porém, nunca é nulo afirmar, que o Òrìṣà compreende a língua do coração e de quem acredita e por ele tem fé.

Inicialmente é importante destacar que o alfabeto yorùbá é distinto do português. Abaixo, segue o alfabeto yorùbá (ABIDI), seguido de sua pronúncia. Vejamos:

A = A
B = BI
D = DI
E = Ê
Ẹ = É (observe que há uma acentuação abaixo – isso diferencia o som do “Ê” para o “É”).
F = FI
G = GUI (o “G” em yorùbá, sempre tem o som como “Goiaba”, “Gol”, etc. Num como “geleia”, “gelo”, etc).
G = “GBI” (não há som correspondente no alfabeto português)
H = RRI (sempre som de “RR”)
I = I
J = DJI (Como o som de A”dje”tivo)
K = KI
L = LI
M = MI
N = NI
O = Ô
Ọ = Ó (observe que há uma acentuação abaixo – isso diferencia o som do “Ô” para o “Ó”).
P = “KPI” (não há som correspondente no alfabeto português)
R = RI (sempre brando como “lorota”, “nora”, “careta”, etc.).
S = SI
Ṣ = XI (observe que há uma acentuação abaixo – isso diferencia o som do “SI” para o “XI” – por exemplo, a forma correta de escrever Orixá é Oriṣa e Axé, na verdade, se escreve Aṣẹ).
T = TI
U = U
W = UI (como “uísque”).
Y = I

IMPORTANTE: Não existem as letras: “X”, “C”, “Q”, “V” e “Z”.
Os acentos agudos e crase dão a tonalidade alta e baixa, respectivamente. A inexistência do acento dá o tom médio à pronúncia.

Ao todo, são sete as vogais: A, E, Ẹ, I, O, Ọ, U (importante: se a vogal fora seguida de “N”, terá a pronúncia nasal).

“FORMA EQUIVOCADA” | FORMA CORRETA | TRADUÇÃO

“ABALUAE” | ỌBALUWAIYE | NOME DE ORIṢA
“ABUKÓ” | OBUKỌ | BODE
“AKIKÓ” | AKUKỌ | GALO
“ALUBASA” | ALUBỌSA | CEBOLA
“AMADE” | ỌMỌDE | CRIANÇA
“APOLÓ” | ỌPỌLỌ | SAPO
“BUBURU/BOBURU” | GUGURU | PIPOCA
“DUNDUN” | DUDU | PRETO
“EBAMI” | ẸGBỌN MI | MEU IRMÃO
“ENIN” | ẸNI | ESTEIRA
“ETUN” | ẸTU | GALINHA D’ANGOLA
“EUÁ” | YEWA | NOME DE ORIṢA
“IBI” | IGBIN | CARAMUJO
“IOBA/YOBA/IYOBA” | OBA | NOME DE ORIṢA
“INRILÊ” | ẸYẸLẸ | POMBO
“IYABA” | AYABA | EQUIVALE A “RAINHA”
“MIM” | MI | MEU
“OMIN” | OMI | ÁGUA
“OTIN” | OTI | BEBIDA ALCOÓLICA 
“OXAGUIYAN” | OṢOGIYAN | NOME DE ORIṢA 
“OXUM MARE” | OṢUMARE | NOME DE ORIṢA
“ORUNKÓ” | ORUKỌ | NOME
“OSANHA” | ỌSANYIN | NOME DE ORIṢA

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Workshop de cultura guineense

Divulgando o convite do grupo Ilú Obá de Min para workshop de cultura guineense. Mais informações sobre a Ong, acesse: https://www.facebook.com/pages/Il%C3%BA-Ob%C3%A1-De-Min/125403590866610?fref=ts



Conversas com Mestres.Érika Balbino e Alexandre Keto

A biblioteca recebeu no último sábado a autora Érika Balbino e o ilustrador Alexandre Keto, integrando o Círculo de cultura afro brasileira 2014.



Eles falaram um pouco de suas trajetórias e do processo criativo da obra Num tronco de iroko vi a Iúna cantar, recém-lançada pela editora Peirópolis.


Depois do bate papo a autora e o ilustrador autografaram os exemplares adquiridos pelos participantes do círculo, e prestigiaram também o curso de língua yorubá.